A saúde mental nunca esteve tão em pauta, e os números justificam a atenção. Segundo o inquérito Covitel 2023, disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane, 12,7% da população brasileira convive com depressão e 26,8% relataram diagnóstico de ansiedade. O Brasil é apontado pela Organização Mundial da Saúde como o país com maior prevalência de depressão na América Latina. E o impacto se estende para o ambiente de trabalho: dados do Ministério da Previdência Social mostram que o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais em 2024, 67% a mais que no ano anterior e o maior número da série histórica.
Em São Paulo, maior metrópole do país, esses números ganham proporções ainda mais expressivas. O ritmo acelerado, as longas jornadas, o trânsito e a pressão por desempenho criam um ambiente que desafia cotidianamente o equilíbrio emocional de quem vive aqui. Ao mesmo tempo, a cidade concentra alguns dos profissionais de saúde mental mais qualificados do país, o que torna a busca por um psiquiatra São Paulo tanto uma necessidade real quanto uma possibilidade concreta para quem decide dar esse passo.
Este artigo não pretende convencer ninguém a fazer nada. Pretende oferecer informações claras sobre o que é a psiquiatria, quando ela é indicada e como funciona o processo de cuidado, para que quem estiver considerando buscar ajuda possa fazê-lo com mais segurança e menos dúvidas.
O Que Faz um Psiquiatra
O psiquiatra é um médico com especialização em saúde mental. Por ter formação médica completa, ele pode realizar diagnósticos clínicos, solicitar exames laboratoriais e de imagem, prescrever medicamentos e avaliar se os sintomas psiquiátricos têm relação com condições clínicas gerais, como alterações da tireoide, deficiências nutricionais ou condições neurológicas que podem se manifestar com sintomas emocionais e comportamentais.
A psiquiatria atua sobre o funcionamento do sistema nervoso central, os mecanismos biológicos que regulam humor, ansiedade, sono, atenção e percepção da realidade. Isso não significa que a psiquiatria reduz sofrimento humano a uma questão puramente biológica: o bom psiquiatra considera fatores biológicos, psicológicos e sociais simultaneamente, entendendo que a saúde mental é resultado da interação entre todos eles.
A distinção com o psicólogo é frequentemente mal compreendida. O psicólogo tem formação em psicologia e atua por meio de psicoterapia, diferentes abordagens de tratamento pela fala, como a terapia cognitivo-comportamental e a psicanálise. O psicólogo não prescreve medicamentos. Em muitas condições, como depressão e transtornos de ansiedade, a combinação de acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia produz resultados superiores a qualquer uma das abordagens isoladas, o que a literatura científica documenta de forma consistente.
O Cenário da Saúde Mental em São Paulo
São Paulo reúne condições urbanas que tornam o cuidado com a saúde mental particularmente relevante. Não se trata de estigmatizar a cidade, trata-se de reconhecer que fatores como pressão por produtividade, instabilidade no mercado de trabalho, isolamento social em meio a milhões de pessoas e dificuldade de acesso a serviços de saúde de qualidade criam um contexto que aumenta a vulnerabilidade ao adoecimento mental.
A Síndrome de Burnout, reconhecida pela OMS como fenômeno ocupacional e incluída no CID-11 em 2022, é um exemplo. Segundo dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), divulgados pelo Jornal da USP, aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a condição. O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de casos diagnosticados. E São Paulo, por concentrar grande parte da força de trabalho do país em ambientes corporativos de alta pressão, reflete esse cenário de forma especialmente intensa.
Outro dado que contextualiza a demanda: segundo o Atlas da Saúde Mental 2024 da OMS, a prevalência de transtornos mentais aumentou 25% desde a pandemia de Covid-19 em nível global. No Brasil, os reflexos desse aumento são visíveis nas listas de espera por atendimento especializado e na crescente demanda por psiquiatras e psicólogos em todas as faixas de renda e escolaridade.
Quando a Avaliação Psiquiátrica é Indicada
Não existe um limiar único que determine quando uma pessoa deve buscar um psiquiatra. O critério mais útil é prático: quando os sintomas emocionais ou comportamentais estão impactando de forma significativa a qualidade de vida, o funcionamento no trabalho ou nos estudos, os relacionamentos ou o bem-estar geral, e quando isso se mantém por um período relevante, a avaliação especializada é o caminho mais seguro.
Alguns sinais que frequentemente indicam a pertinência de uma consulta psiquiátrica:
Humor persistentemente baixo, com perda de interesse em atividades antes prazerosas, por duas semanas ou mais. Ansiedade intensa, de difícil controle, que interfere nas atividades cotidianas. Episódios de pânico, crises súbitas de medo intenso com sintomas físicos como palpitações e falta de ar. Alterações significativas do sono que não se resolvem com mudanças de hábito. Pensamentos intrusivos repetitivos associados a comportamentos compulsivos. Variações de humor muito intensas, com períodos de euforia seguidos de períodos de depressão profunda. Dificuldade persistente de concentração que compromete o desempenho. Uso de álcool ou outras substâncias de forma que gera consequências na vida pessoal ou profissional.
Essa lista não é exaustiva, e nenhum item isolado define um diagnóstico. O objetivo é oferecer referências para que a pessoa possa avaliar se o que está vivendo merece atenção especializada, sem depender exclusivamente de autodiagnóstico ou de comparações com terceiros.
Condições Tratadas pela Psiquiatria
Depressão
A depressão é a condição de saúde mental mais prevalente no país, segundo os dados já citados do Covitel 2023 e da OMS. É uma condição médica com alterações neurobiológicas identificáveis, não uma questão de força de vontade ou de “positividade”. Isso não significa que apenas a biologia importa no seu desenvolvimento: eventos de vida adversos, trauma, isolamento social e condições crônicas de estresse têm papel relevante. Mas significa que o tratamento medicamentoso, quando indicado, tem base científica sólida e eficácia comprovada.
A combinação de farmacoterapia e psicoterapia é a abordagem com maior respaldo na literatura para depressão moderada a grave.
Exemplos de pessoas conhecidas que falaram abertamente sobre esse transtorno incluem Lady Gaga e Bruce Springsteen.
Transtornos de Ansiedade
Os transtornos de ansiedade, que incluem o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno do pânico, a fobia social e outros, são o grupo de condições psiquiátricas mais prevalentes no mundo, segundo a OMS. No Brasil, o inquérito Covitel 2023 identificou que 26,8% da população relatou diagnóstico de ansiedade, com prevalência maior entre mulheres (34,2%) e jovens de 18 a 24 anos (31,6%).
É importante distinguir a ansiedade como emoção, uma resposta adaptativa normal a situações de desafio, de transtorno de ansiedade, que envolve intensidade, frequência e impacto no funcionamento muito além do esperado. O tratamento combina, conforme o perfil clínico, farmacoterapia e psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, que tem base em evidências consistentes para esse grupo de condições.
Algumas personalidades que relataram publicamente esse diagnóstico são Adele e Ryan Reynolds.
Transtorno Bipolar
O transtorno bipolar é caracterizado pela alternância entre episódios de mania ou hipomania e episódios depressivos. O diagnóstico correto é frequentemente demorado, pacientes com transtorno bipolar podem ser tratados por anos apenas pela depressão, sem que o componente maníaco seja reconhecido. Essa diferenciação tem implicações diretas no tratamento, pois alguns antidepressivos podem precipitar episódios maníacos em pacientes bipolares não estabilizados.
O tratamento de manutenção com estabilizadores de humor tem como objetivo a estabilização do humor a longo prazo, com prevenção de novos episódios e manutenção do funcionamento.
Algumas personalidades que relataram publicamente esse diagnóstico são Mariah Carey e Selena Gomez.
Esquizofrenia
A esquizofrenia é um transtorno psicótico crônico caracterizado por alterações do pensamento, da percepção da realidade e do comportamento, que podem incluir delírios, alucinações, discurso desorganizado e retraimento social. Costuma se manifestar no final da adolescência ou no início da vida adulta e exige tratamento continuado, combinando antipsicóticos, reabilitação psicossocial e suporte à família. Com tratamento adequado, muitas pessoas com esquizofrenia conseguem manter vida funcional e produtiva.
Um exemplo conhecido é o matemático John Forbes Nash Jr., vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 1994, cuja história com a esquizofrenia foi retratada no filme “Uma Mente Brilhante”.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo
O TOC é caracterizado por obsessões, pensamentos, impulsos ou imagens intrusivos e indesejados que causam angústia, e compulsões, comportamentos repetitivos realizados para neutralizar essa angústia temporariamente. É uma condição com alto impacto na qualidade de vida que responde ao tratamento, especialmente à combinação de farmacoterapia com técnicas específicas de psicoterapia cognitivo-comportamental.
Entre as pessoas que comentaram publicamente sobre esse transtorno está o jogador David Beckham.
TDAH no Adulto
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade não se restringe à infância. Uma parcela expressiva dos casos persiste na vida adulta, e uma parte adicional é diagnosticada pela primeira vez nessa fase, frequentemente após anos de dificuldades não compreendidas. No adulto, a apresentação tende a ser menos marcada pela hiperatividade motora e mais pela desatenção, impulsividade e instabilidade emocional que impactam o desempenho profissional e os relacionamentos.
Síndrome de Burnout
A Síndrome de Burnout é classificada pela OMS como um fenômeno ocupacional, incluído na CID-11, e não como um transtorno mental em si. Caracteriza-se por exaustão emocional intensa, despersonalização ou cinismo em relação ao trabalho e sensação de redução da eficácia profissional, resultantes de estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi administrado de forma adequada. Embora não seja classificada como doença mental, frequentemente coexiste com quadros de ansiedade e depressão, e sua avaliação pode envolver acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e mudanças no ambiente ou na rotina de trabalho.
Diversas pessoas bem-sucedidas convivem com esse quadro, entre elas a ginasta Simone Biles e a empresária Arianna Huffington.
Como Funciona o Processo de Avaliação e Tratamento
A primeira consulta psiquiátrica é uma entrevista clínica, a anamnese psiquiátrica. O médico explora os sintomas atuais, seu início e evolução, o histórico de saúde mental, o histórico familiar, o contexto de vida, o uso de medicamentos e substâncias, e condições clínicas gerais que possam estar relacionadas ao quadro.
Esse processo leva tempo, uma primeira consulta de qualidade raramente dura menos de 50 minutos. E não se encerra em uma única sessão para os casos mais complexos, que podem exigir retornos antes que o diagnóstico esteja suficientemente consolidado para orientar o tratamento.
O plano de tratamento é construído a partir dessa avaliação. Pode incluir farmacoterapia, encaminhamento para psicoterapia, orientações de estilo de vida, sono, exercício físico, alimentação, e, quando pertinente, articulação com outros profissionais de saúde. O acompanhamento ao longo do tratamento permite ajustar o plano conforme a resposta do paciente.
Sobre o Dr. Mauricio Kayano
CRM-SP 129822
RQE 59736
O Dr. Mauricio Kayano é psiquiatra com atuação em São Paulo. Seu atendimento é voltado para adultos, com foco em diagnóstico criterioso e acompanhamento individualizado. Oferece consultas presenciais e por telemedicina, dentro das normas do Conselho Federal de Medicina para atendimento remoto.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre psiquiatra e psicólogo? O psiquiatra é médico e pode prescrever medicamentos. O psicólogo tem formação em psicologia e atua por meio de psicoterapia. Para muitas condições, as duas abordagens se complementam e os resultados combinados são superiores a qualquer uma das duas isoladas.
Quando procurar um psiquiatra em vez do clínico geral? Quando os sintomas emocionais ou comportamentais persistem, se repetem ou impactam de forma significativa a qualidade de vida, o trabalho ou os relacionamentos. O clínico geral pode fazer uma avaliação inicial e encaminhar, mas o diagnóstico e o tratamento psiquiátrico especializado oferecem maior precisão e acompanhamento específico.
O tratamento psiquiátrico sempre inclui medicamentos? Não necessariamente. O plano de tratamento é individualizado. Casos mais leves podem ser manejados apenas com psicoterapia. Para condições moderadas a graves, a farmacoterapia frequentemente faz parte do tratamento, mas como parte de um plano mais amplo, não como substituição de outras abordagens.
Os medicamentos psiquiátricos causam dependência? Antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos não causam dependência no sentido farmacológico. Benzodiazepínicos têm potencial de dependência quando usados cronicamente em doses elevadas, por isso são prescritos com indicações específicas e por períodos limitados. O psiquiatra orienta sobre o perfil de cada medicamento individualmente.
O Dr. Mauricio Kayano atende por telemedicina? Sim. O Dr. Mauricio Kayano oferece atendimento por telemedicina para pacientes que preferem ou têm dificuldade de deslocamento, dentro das normas estabelecidas pelo CFM.
Quanto tempo dura o tratamento psiquiátrico? Depende da condição e da resposta individual. Condições episódicas podem ter tratamento de meses. Condições crônicas exigem acompanhamento de longo prazo. O psiquiatra discute as expectativas de duração com o paciente ao longo do processo.
Fontes Usadas:
OMS — Atlas da Saúde Mental 2024 (who.int)
OMS — Relatório “Depressão e outros transtornos mentais comuns: estimativas globais de saúde” (brasil.un.org)
ONU News — “Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais”, setembro de 2025 (news.un.org)
Covitel 2023 — Observatório da Saúde Pública da Umane (biblioteca.observatoriosaudepublica.com.br)
Ministério da Previdência Social — Afastamentos por transtornos mentais 2024, via flashapp.com.br
Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) — Burnout no Brasil, via Jornal da USP (jornal.usp.br)
Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde 2024 — Unidades de saúde mental no SUS