Depressão não é tristeza. Essa distinção, simples de enunciar, difícil de compreender para quem não a viveu, está no centro de um dos maiores equívocos sobre saúde mental no Brasil. A tristeza é uma emoção humana normal, proporcional, que responde a eventos e que passa com o tempo. A depressão é uma condição médica, com mecanismos biológicos identificáveis, que compromete o funcionamento global da pessoa, o humor, a energia, o sono, o apetite, a cognição, os vínculos e, nos casos mais graves, o instinto de preservação da vida. Para quem mora no Vergueiro ou nas proximidades e está pesquisando psiquiatra no Vergueiro e região, este artigo reúne informações baseadas em dados e fontes verificadas sobre depressão: como se manifesta, por que é tão subdiagnosticada, como funciona o tratamento e quando buscar avaliação especializada.
O Peso da Depressão no Brasil
Os números sobre depressão no Brasil são expressivos, e revelam uma distância preocupante entre a prevalência da condição e o acesso ao tratamento adequado.
O inquérito Covitel 2023, disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane, identificou que 12,7% da população brasileira convive com depressão, com prevalência significativamente maior entre mulheres, 18,1%, do que entre homens, 6,9%. O Brasil é apontado pela Organização Mundial da Saúde como o país com maior prevalência de depressão na América Latina.
Na saúde suplementar, um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar publicado no início de 2024 mostrou que os casos de depressão entre beneficiários de planos de saúde cresceram de 11,1% para 13,5% entre 2020 e 2023. Entre as mulheres beneficiárias, o percentual foi de 15,3% para 18,5%, o equivalente a uma em cada cinco beneficiárias do sexo feminino. O crescimento foi especialmente expressivo entre jovens de 18 a 39 anos, cujos casos subiram de 9,8% para 13% no mesmo período.
Em 2024, foram registradas 30.449 internações por depressão no Brasil, uma taxa de 14,3 internações por 100 mil habitantes, segundo dados do Observatório da Saúde Pública. Esses são os casos mais graves, que exigiram hospitalização. O universo de pessoas que convivem com depressão sem internação, e frequentemente sem nenhum tratamento, é muito maior.
A Organização Mundial da Saúde, em relatório divulgado pela Agência Brasil em setembro de 2025, ressaltou que a depressão é a segunda maior causa de incapacidade a longo prazo no mundo, gerando perda significativa de qualidade de vida, produtividade e capacidade de manutenção de vínculos. Apenas 9% das pessoas diagnosticadas com depressão recebem um atendimento minimamente adequado, segundo dados citados pela Faculdade Mandic com base em relatórios da OMS.
A Diferença Entre Tristeza e Depressão
Um dos fatores que mais contribuem para o subdiagnóstico e o atraso no tratamento da depressão é a confusão entre a emoção de tristeza e o quadro clínico de depressão. Entender essa diferença ajuda tanto o próprio paciente quanto as pessoas ao redor a identificar quando os sintomas merecem atenção especializada.
A tristeza é uma resposta emocional proporcional a eventos de perda, decepção ou frustração. Ela é dolorosa, mas é funcional: passa com o tempo, responde ao conforto e ao suporte social, e não compromete de forma abrangente o funcionamento da pessoa. Mesmo no luto, um dos processos mais dolorosos da experiência humana, a tristeza intensa tem uma trajetória natural de elaboração ao longo do tempo.
A depressão, por outro lado, é uma alteração do estado geral do organismo. Ela não tem necessariamente uma causa proporcional, pode surgir sem um evento desencadeante claro, não melhora com o tempo sem tratamento adequado, não responde ao conforto de forma sustentada e compromete múltiplas dimensões do funcionamento: o humor, o sono, o apetite, a energia, a concentração e a capacidade de sentir prazer nas atividades que antes geravam satisfação.
Como a Depressão Se Manifesta: Os Sintomas Que Merecem Atenção
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela American Psychiatric Association, estabelece os critérios diagnósticos para o episódio depressivo maior. Para o diagnóstico, ao menos cinco dos sintomas listados a seguir precisam estar presentes na maior parte do tempo por pelo menos duas semanas, e pelo menos um deles deve ser humor deprimido ou perda de interesse.
Humor deprimido na maior parte do dia: sentimento persistente de tristeza, vazio ou desesperança, que não melhora com eventos positivos ou com o passar dos dias.
Perda de interesse ou prazer em atividades: a anedonia, incapacidade de sentir prazer em atividades que antes geravam satisfação, é um dos sintomas mais característicos e mais debilitantes da depressão. Hobbies, relações sociais, atividades profissionais e até atividades de autocuidado perdem o apelo.
Alterações do apetite e do peso: tanto a diminuição significativa do apetite quanto o aumento compulsivo podem ocorrer. Mudanças de peso sem dieta intencional, para cima ou para baixo, são um sinal clínico relevante.
Alterações do sono: insônia, dificuldade para adormecer, manter o sono ou acordar muito mais cedo do que o desejado, é mais comum. Mas hipersonia, dormir muito mais do que o habitual sem se sentir descansado, também pode ocorrer.
Agitação ou lentidão psicomotora: perceptíveis por outras pessoas, não apenas uma sensação subjetiva. Pode se manifestar como inquietação intensa ou, ao contrário, como um estado de lentidão no pensamento, na fala e nos movimentos.
Fadiga e perda de energia: sensação de esgotamento persistente que não melhora com o descanso e que torna tarefas simples do cotidiano, tomar banho, preparar uma refeição, responder uma mensagem, desproporcionalmente custosas.
Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva: pensamentos recorrentes de que se é um peso para os outros, de que não se é merecedor de cuidado ou de que se é o responsável por situações que estão fora do próprio controle.
Dificuldade de concentração e tomada de decisão: comprometimento cognitivo que impacta diretamente o desempenho profissional e acadêmico, frequentemente interpretado como preguiça ou falta de comprometimento por quem não reconhece o quadro.
Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio: desde a sensação de que seria melhor não estar vivo até o planejamento ativo. Qualquer sintoma nesse espectro deve ser avaliado com urgência por um profissional de saúde mental. Em situações de crise, o CVV, Centro de Valorização da Vida, oferece atendimento gratuito, 24 horas, pelo número 188.
Os Diferentes Tipos de Depressão
A depressão não é uma condição uniforme. O diagnóstico psiquiátrico diferencia subtipos com características distintas que influenciam diretamente o plano de tratamento.
Episódio depressivo maior: o quadro clássico descrito acima, que pode ocorrer uma vez na vida ou se repetir ao longo do tempo.
Transtorno depressivo persistente (distimia): uma forma de depressão de intensidade geralmente menor, mas de longa duração, pelo menos dois anos. Quem tem distimia frequentemente normaliza o estado de ânimo baixo como parte da personalidade, atrasando a busca por tratamento.
Depressão pós-parto: que pode variar de uma forma leve e transitória a um quadro depressivo maior com início no período perinatal, exigindo avaliação e tratamento especializados.
Depressão com características psicóticas: presença de delírios ou alucinações associados ao episódio depressivo, frequentemente com conteúdo negativo, de culpa, ruína ou doenças. Exige abordagem terapêutica específica.
Depressão no contexto do transtorno bipolar: episódios depressivos que alternam com episódios de mania ou hipomania. Esse diagnóstico tem implicações terapêuticas importantes, pois alguns antidepressivos podem precipitar episódios maníacos quando usados sem estabilizadores de humor em pacientes bipolares.
Por Que a Depressão é Tão Subdiagnosticada e Subtratada
Vários fatores explicam a distância entre a prevalência da depressão e o acesso ao tratamento adequado.
O estigma continua sendo uma barreira real. Muitas pessoas ainda interpretam a depressão como fraqueza, falta de fé ou ausência de força de vontade, tanto os próprios pacientes quanto pessoas ao redor. Esse estigma leva ao silêncio sobre os sintomas e ao adiamento da busca por ajuda.
A somatização é outro fator relevante. A depressão frequentemente se manifesta com sintomas físicos proeminentes, dores musculares, cefaleia, desconforto gastrointestinal, fadiga, que levam o paciente a buscar avaliação em outras especialidades médicas antes de chegar à psiquiatria. O diagnóstico correto pode demorar meses ou anos quando o quadro se apresenta predominantemente por essa via.
A minimização dos sintomas, tanto pelo paciente quanto por pessoas próximas, é igualmente comum. Frases como “você precisa se animar”, “pense positivo”, ‘’isso é um problema espiritual’’ ou “tem gente em situação muito pior” refletem uma incompreensão sobre a natureza da depressão como condição médica, não como escolha ou atitude.
Como Funciona o Tratamento da Depressão
O tratamento da depressão tem alta eficácia quando conduzido de forma adequada, e essa eficácia é respaldada por décadas de evidências clínicas.
Farmacoterapia: os antidepressivos modernos, especialmente os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), são o pilar do tratamento farmacológico da depressão moderada a grave. Eles modulam os sistemas de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, da energia e do sono. O efeito terapêutico pleno costuma ser atingido entre quatro e oito semanas do início do uso, e o tratamento é mantido por pelo menos seis a doze meses após a remissão dos sintomas para reduzir o risco de recaída.
Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental tem a base de evidências mais sólida entre as abordagens psicológicas para depressão, com eficácia comprovada tanto como tratamento isolado nos casos leves a moderados quanto em combinação com a farmacoterapia nos casos moderados a graves.
Combinação de abordagens: a combinação de antidepressivo e psicoterapia produz resultados superiores a qualquer uma das abordagens isoladas para a maioria dos casos de depressão moderada a grave, tanto na velocidade de resposta quanto na durabilidade dos resultados e na prevenção de recaídas.
Sobre o Dr. Maurício Hiroshi Kayano
O Dr. Maurício Hiroshi Kayano é psiquiatra com atuação em São Paulo, com consultório acessível para pacientes da região do Vergueiro e adjacências. Seu atendimento é direcionado a adultos, com avaliação diagnóstica criteriosa e acompanhamento individualizado, levando em conta tanto os aspectos clínicos quanto o contexto de vida de cada paciente. Oferece consultas presenciais e por telemedicina, dentro das normas do Conselho Federal de Medicina.
CRM-SP 129822
RQE 59736
Fontes Consultadas
- Covitel 2023, Observatório da Saúde Pública da Umane (biblioteca.observatoriosaudepublica.com.br)
- Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Estudo sobre depressão na saúde suplementar 2020–2023, via CNN Brasil (janeiro de 2024)
- Observatório da Saúde Pública da Umane, Internações por depressão 2024 (biblioteca.observatoriosaudepublica.com.br)
- OMS / Agência Brasil, “Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais”, setembro de 2025 (agenciabrasil.ebc.com.br)
- Faculdade Mandic, “Transtornos mentais: o atual cenário mundial da saúde mental segundo a OMS” (slmandic.edu.br)
- Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), American Psychiatric Association
Perguntas Frequentes
Como diferenciar tristeza de depressão? A tristeza é proporcional a um evento, temporária e melhora com o tempo e o suporte social. A depressão é persistente, dura pelo menos duas semanas,, frequentemente sem causa proporcional, não melhora com conforto e compromete múltiplas dimensões do funcionamento: humor, energia, sono, apetite, concentração e capacidade de sentir prazer.
A depressão passa sozinha sem tratamento? Em alguns casos leves, os sintomas podem se resolver espontaneamente. Em quadros moderados a graves, isso raramente acontece, e sem tratamento, há risco de cronificação, piora progressiva e consequências sérias para a saúde, os relacionamentos e a vida profissional.
Antidepressivo muda a personalidade? Não. Antidepressivos bem indicados e na dose adequada restauram o estado de funcionamento que a depressão suprimiu, não criam um estado artificial ou alteram a identidade do paciente. Quando bem tolerados, os pacientes frequentemente descrevem a sensação de “voltar a ser quem eram antes da depressão”.
Quanto tempo dura o tratamento para depressão? Para um primeiro episódio, as diretrizes recomendam manter o antidepressivo por pelo menos seis a doze meses após a remissão completa dos sintomas. Para pacientes com dois ou mais episódios anteriores, o tratamento de manutenção por períodos mais longos é frequentemente indicado para reduzir o risco de recorrência.
Depressão em jovens é diferente da depressão em adultos? A depressão pode se manifestar de forma diferente em jovens, com mais irritabilidade e agitação do que humor deprimido clássico, e com impacto mais direto no desempenho escolar e nos relacionamentos. O diagnóstico e o tratamento exigem avaliação especializada, e os resultados com tratamento adequado são igualmente favoráveis.
O Dr. Maurício Hiroshi Kayano atende pacientes da região do Vergueiro? Sim. O Dr. Maurício Hiroshi Kayano oferece atendimento presencial e por telemedicina para pacientes da região do Vergueiro e de toda a cidade de São Paulo, dentro das normas do Conselho Federal de Medicina.
O Peso da Depressão no Brasil
Os números sobre depressão no Brasil são expressivos, e revelam uma distância preocupante entre a prevalência da condição e o acesso ao tratamento adequado.
O inquérito Covitel 2023, disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane, identificou que 12,7% da população brasileira convive com depressão, com prevalência significativamente maior entre mulheres, 18,1%, do que entre homens, 6,9%. O Brasil é apontado pela Organização Mundial da Saúde como o país com maior prevalência de depressão na América Latina.
Na saúde suplementar, um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar publicado no início de 2024 mostrou que os casos de depressão entre beneficiários de planos de saúde cresceram de 11,1% para 13,5% entre 2020 e 2023. Entre as mulheres beneficiárias, o percentual foi de 15,3% para 18,5%, o equivalente a uma em cada cinco beneficiárias do sexo feminino. O crescimento foi especialmente expressivo entre jovens de 18 a 39 anos, cujos casos subiram de 9,8% para 13% no mesmo período.
Em 2024, foram registradas 30.449 internações por depressão no Brasil, uma taxa de 14,3 internações por 100 mil habitantes, segundo dados do Observatório da Saúde Pública. Esses são os casos mais graves, que exigiram hospitalização. O universo de pessoas que convivem com depressão sem internação, e frequentemente sem nenhum tratamento, é muito maior.
A Organização Mundial da Saúde, em relatório divulgado pela Agência Brasil em setembro de 2025, ressaltou que a depressão é a segunda maior causa de incapacidade a longo prazo no mundo, gerando perda significativa de qualidade de vida, produtividade e capacidade de manutenção de vínculos. Apenas 9% das pessoas diagnosticadas com depressão recebem um atendimento minimamente adequado, segundo dados citados pela Faculdade Mandic com base em relatórios da OMS.
A Diferença Entre Tristeza e Depressão
Um dos fatores que mais contribuem para o subdiagnóstico e o atraso no tratamento da depressão é a confusão entre a emoção de tristeza e o quadro clínico de depressão. Entender essa diferença ajuda tanto o próprio paciente quanto as pessoas ao redor a identificar quando os sintomas merecem atenção especializada.
A tristeza é uma resposta emocional proporcional a eventos de perda, decepção ou frustração. Ela é dolorosa, mas é funcional: passa com o tempo, responde ao conforto e ao suporte social, e não compromete de forma abrangente o funcionamento da pessoa. Mesmo no luto, um dos processos mais dolorosos da experiência humana,, a tristeza intensa tem uma trajetória natural de elaboração ao longo do tempo.
A depressão, por outro lado, é uma alteração do estado geral do organismo. Ela não tem necessariamente uma causa proporcional, pode surgir sem um evento desencadeante claro,, não melhora com o tempo sem tratamento adequado, não responde ao conforto de forma sustentada e compromete múltiplas dimensões do funcionamento: o humor, o sono, o apetite, a energia, a concentração e a capacidade de sentir prazer nas atividades que antes geravam satisfação.
Como a Depressão Se Manifesta: Os Sintomas Que Merecem Atenção
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela American Psychiatric Association, estabelece os critérios diagnósticos para o episódio depressivo maior. Para o diagnóstico, ao menos cinco dos sintomas listados a seguir precisam estar presentes na maior parte do tempo por pelo menos duas semanas, e pelo menos um deles deve ser humor deprimido ou perda de interesse.
Humor deprimido na maior parte do dia: sentimento persistente de tristeza, vazio ou desesperança, que não melhora com eventos positivos ou com o passar dos dias.
Perda de interesse ou prazer em atividades: a anedonia, incapacidade de sentir prazer em atividades que antes geravam satisfação, é um dos sintomas mais característicos e mais debilitantes da depressão. Hobbies, relações sociais, atividades profissionais e até atividades de autocuidado perdem o apelo.
Alterações do apetite e do peso: tanto a diminuição significativa do apetite quanto o aumento compulsivo podem ocorrer. Mudanças de peso sem dieta intencional, para cima ou para baixo, são um sinal clínico relevante.
Alterações do sono: insônia, dificuldade para adormecer, manter o sono ou acordar muito mais cedo do que o desejado, é mais comum. Mas hipersonia, dormir muito mais do que o habitual sem se sentir descansado, também pode ocorrer.
Agitação ou lentidão psicomotora: perceptíveis por outras pessoas, não apenas uma sensação subjetiva. Pode se manifestar como inquietação intensa ou, ao contrário, como um estado de lentidão no pensamento, na fala e nos movimentos.
Fadiga e perda de energia: sensação de esgotamento persistente que não melhora com o descanso e que torna tarefas simples do cotidiano, tomar banho, preparar uma refeição, responder uma mensagem, desproporcionalmente custosas.
Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva: pensamentos recorrentes de que se é um peso para os outros, de que não se é merecedor de cuidado ou de que se é o responsável por situações que estão fora do próprio controle.
Dificuldade de concentração e tomada de decisão: comprometimento cognitivo que impacta diretamente o desempenho profissional e acadêmico, frequentemente interpretado como preguiça ou falta de comprometimento por quem não reconhece o quadro.
Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio: desde a sensação de que seria melhor não estar vivo até o planejamento ativo. Qualquer sintoma nesse espectro deve ser avaliado com urgência por um profissional de saúde mental. Em situações de crise, o CVV, Centro de Valorização da Vida, oferece atendimento gratuito, 24 horas, pelo número 188.
Os Diferentes Tipos de Depressão
A depressão não é uma condição uniforme. O diagnóstico psiquiátrico diferencia subtipos com características distintas que influenciam diretamente o plano de tratamento.
Episódio depressivo maior: o quadro clássico descrito acima, que pode ocorrer uma vez na vida ou se repetir ao longo do tempo.
Transtorno depressivo persistente (distimia): uma forma de depressão de intensidade geralmente menor, mas de longa duração, pelo menos dois anos. Quem tem distimia frequentemente normaliza o estado de ânimo baixo como parte da personalidade, atrasando a busca por tratamento.
Depressão pós-parto: que pode variar de uma forma leve e transitória a um quadro depressivo maior com início no período perinatal, exigindo avaliação e tratamento especializados.
Depressão com características psicóticas: presença de delírios ou alucinações associados ao episódio depressivo, frequentemente com conteúdo negativo, de culpa, ruína ou doenças. Exige abordagem terapêutica específica.
Depressão no contexto do transtorno bipolar: episódios depressivos que alternam com episódios de mania ou hipomania. Esse diagnóstico tem implicações terapêuticas importantes, pois alguns antidepressivos podem precipitar episódios maníacos quando usados sem estabilizadores de humor em pacientes bipolares.
Por Que a Depressão é Tão Subdiagnosticada e Subtratada
Vários fatores explicam a distância entre a prevalência da depressão e o acesso ao tratamento adequado.
O estigma continua sendo uma barreira real. Muitas pessoas ainda interpretam a depressão como fraqueza, falta de fé ou ausência de força de vontade, tanto os próprios pacientes quanto pessoas ao redor. Esse estigma leva ao silêncio sobre os sintomas e ao adiamento da busca por ajuda.
A somatização é outro fator relevante. A depressão frequentemente se manifesta com sintomas físicos proeminentes, dores musculares, cefaleia, desconforto gastrointestinal, fadiga, que levam o paciente a buscar avaliação em outras especialidades médicas antes de chegar à psiquiatria. O diagnóstico correto pode demorar meses ou anos quando o quadro se apresenta predominantemente por essa via.
A minimização dos sintomas, tanto pelo paciente quanto por pessoas próximas, é igualmente comum. Frases como “você precisa se animar”, “pense positivo” ou “tem gente em situação muito pior” refletem uma incompreensão sobre a natureza da depressão como condição médica, não como escolha ou atitude.
Como Funciona o Tratamento da Depressão
O tratamento da depressão tem alta eficácia quando conduzido de forma adequada, e essa eficácia é respaldada por décadas de evidências clínicas.
Farmacoterapia: os antidepressivos modernos, especialmente os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), são o pilar do tratamento farmacológico da depressão moderada a grave. Eles modulam os sistemas de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, da energia e do sono. O efeito terapêutico pleno costuma ser atingido entre quatro e oito semanas do início do uso, e o tratamento é mantido por pelo menos seis a doze meses após a remissão dos sintomas para reduzir o risco de recaída.
Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental tem a base de evidências mais sólida entre as abordagens psicológicas para depressão, com eficácia comprovada tanto como tratamento isolado nos casos leves a moderados quanto em combinação com a farmacoterapia nos casos moderados a graves.
Combinação de abordagens: a combinação de antidepressivo e psicoterapia produz resultados superiores a qualquer uma das abordagens isoladas para a maioria dos casos de depressão moderada a grave, tanto na velocidade de resposta quanto na durabilidade dos resultados e na prevenção de recaídas.
Sobre o Dr. Maurício Hiroshi Kayano
O Dr. Maurício Hiroshi Kayano é psiquiatra com atuação em São Paulo, com consultório acessível para pacientes da região do Vergueiro e adjacências. Seu atendimento é direcionado a adultos, com avaliação diagnóstica criteriosa e acompanhamento individualizado, levando em conta tanto os aspectos clínicos quanto o contexto de vida de cada paciente. Oferece consultas presenciais e por telemedicina, dentro das normas do Conselho Federal de Medicina.
CRM-SP 129822
RQE 59736
Fontes Consultadas
- Covitel 2023, Observatório da Saúde Pública da Umane (biblioteca.observatoriosaudepublica.com.br)
- Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Estudo sobre depressão na saúde suplementar 2020–2023, via CNN Brasil (janeiro de 2024)
- Observatório da Saúde Pública da Umane, Internações por depressão 2024 (biblioteca.observatoriosaudepublica.com.br)
- OMS / Agência Brasil, “Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais”, setembro de 2025 (agenciabrasil.ebc.com.br)
- Faculdade Mandic, “Transtornos mentais: o atual cenário mundial da saúde mental segundo a OMS” (slmandic.edu.br)
- Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), American Psychiatric Association
Perguntas Frequentes
Como diferenciar tristeza de depressão? A tristeza é proporcional a um evento, temporária e melhora com o tempo e o suporte social. A depressão é persistente, dura pelo menos duas semanas,, frequentemente sem causa proporcional, não melhora com conforto e compromete múltiplas dimensões do funcionamento: humor, energia, sono, apetite, concentração e capacidade de sentir prazer.
A depressão passa sozinha sem tratamento? Em alguns casos leves, os sintomas podem se resolver espontaneamente. Em quadros moderados a graves, isso raramente acontece, e sem tratamento, há risco de cronificação, piora progressiva e consequências sérias para a saúde, os relacionamentos e a vida profissional.
Antidepressivo muda a personalidade? Não. Antidepressivos bem indicados e na dose adequada restauram o estado de funcionamento que a depressão suprimiu, não criam um estado artificial ou alteram a identidade do paciente. Quando bem tolerados, os pacientes frequentemente descrevem a sensação de “voltar a ser quem eram antes da depressão”.
Quanto tempo dura o tratamento para depressão? Para um primeiro episódio, as diretrizes recomendam manter o antidepressivo por pelo menos seis a doze meses após a remissão completa dos sintomas. Para pacientes com dois ou mais episódios anteriores, o tratamento de manutenção por períodos mais longos é frequentemente indicado para reduzir o risco de recorrência.
Depressão em jovens é diferente da depressão em adultos? A depressão pode se manifestar de forma diferente em jovens, com mais irritabilidade e agitação do que humor deprimido clássico, e com impacto mais direto no desempenho escolar e nos relacionamentos. O diagnóstico e o tratamento exigem avaliação especializada, e os resultados com tratamento adequado são igualmente favoráveis.
O Dr. Maurício Hiroshi Kayano atende pacientes da região do Vergueiro? Sim. O Dr. Maurício Hiroshi Kayano oferece atendimento presencial e por telemedicina para pacientes da região do Vergueiro e de toda a cidade de São Paulo, dentro das normas do Conselho Federal de Medicina.